segunda-feira, 4 de maio de 2015

Guaramiranga! A Holambra Nordestina...


Já eram quase 23 horas da noite quando, depois de rodar mais de 8 horas de carro, retornei a cidade de Natal após conhecer um dos lugares, sem sombra de dúvidas, mais lindos do nordeste brasileiro.


Acompanhado da minha inseparável esposa Marcelle Thurner, saímos na última sexta-feira em uma emocionante missão/viagem a tão famosa e conhecida "Holambra Nordestina" (referência a cidade de Holambra, no Estado de São Paulo famosa pelo cultivo de rosas), a charmosa e aconchegante cidade de Guaramiranga, situada no alto do maciço de Baturité, região serrana do Estado do Ceará. 



Subir a serra já é experiência maravilhosa, principalmente pela vista que é deslumbrante. Impossível dizer que Deus não fez tudo isso. E como nosso assunto aqui são as abelhas, em todos os lugares que já rodei pelo Brasil, não encontrei lugar tão propício ao desenvolvimento da meliponicultura.





O que mais vi por aqui foram flores e abelhas, de todas as cores, formatos e tamanhos. Estou até agora deslumbrado com tudo que vi e experimentei. Cada cor, cada cheiro, cada sabor, cada lugar. Algo realmente único e jamais esperado em pleno nordeste brasileiro. 



Tive o grande prazer de me hospedar no hotel "Vale das Nuvens" (www.valedasnuvens.com.br), que por sinal recomendo, não só pela beleza, conforto e simpatia dos funcionários, mas principalmente pela vista. 


Logo que cheguei no hotel perguntei o porquê do nome, a recepcionista sorriu e disse: espere a noite, o senhor vai entender, rssss. E, de fato, passei dois dias entre as nuvens. Constantemente eramos recepcionados por nuvens que de maneira repentina passavam pelas montanhas e nos proporcionavam um espetáculo à parte. A noite, durante o jantar ao som de muito muita MPB de alta qualidade, chegamos a pegar 14º graus de puro conforto.

E as flores? Ahhh... Uma beleza única. Eu juro que me deu vontade de não mais voltar. São aqueles poucos segundos de loucura onde você pensa: porque não largar tudo e vim morar aqui? TUDO QUE EU QUERIA NA VIDA... As flores, as abelhas e meu amor do lado. 

Bem, essa é a típica postagem que o que menos interessa é a escrita, mas sim as imagens, por isso não vou escrever mais nada... apenas apreciem as fotos, que já falam por si...

Boa semana a todos!!!

Natal, em 04 de abril de 2015.

Kalhil Pereira França Thurner
Meliponário do Sertão


















terça-feira, 31 de março de 2015

Revisão regular: o segredo de um bom desenvolvimento.

Mesmo distante e tendo que enfrentar um trânsito complicado, vez por outra acabo aproveitando o intervalo do almoço no trabalho para ir no meliponário. Não me demoro muito, mas são essas visitas rápidas que garantem a permanente qualidade na postura de meus enxames. Como já disse aqui outras vezes, acompanhar o desenvolvimento dos enxames mais novos é missão primordial para qualquer meliponicultor que se preze, afinal de contas as meninas na fase inicial de desenvolvimento precisam de alimentação artificial regular.


Além disso, nessa fase as abelhas são suscetíveis ao ataque dos forídeos (dípteros), que são pequenas moscas que acabam infectando as colônias com centenas de ovos que geram larvas e acabam destruindo quase tudo.


Nesta tarde aproveitei o momento de sol pleno para inspecionar meus enxames de Uruçu Verdadeira. Hoje não levei alimento, muito embora tenha me arrependido, pois alguns enxames jovens e outras colônias mais fortes já estão baixando seus estoques. Nessa época as abelhas consomem muita energia, pois estão em pleno desenvolvimento. Para vocês terem uma ideia do trabalho, para cada kg de cera produzido pelas abelhas são necessários 10kg de mel gasto em energia. Ou seja, o trabalho consome boa parte das reservas, principalmente por que nossa criação é focada na produção de novas matrizes.


(caixa fraca, presença de problemas)

Ao inspecionar uns dos enxames que foi formado no início do mês de março percebi que a colônia não está se desenvolvendo bem. Como podemos observar acima, temos poucas abelhas na caixa e nenhuma postura nova formada, apenas dois potinhos de alimento seco e nenhum sinal de rainha fecundada. Pouca cera e presença de fungos na caixa, o que denota a dificuldade no controle da umidade e temperatura. Ou seja, a colônia está precisando de nossa ajuda.


 (poucas abelhas, postura de obreiras, sem rainha)

Nestes casos a solução não é só alimentar. Mesmo que eu colocasse muito alimento aqui esse enxame não se desenvolveria. Pelo contrário, alimento em excesso aqui só vai atrapalhar pois todo alimento artificial fornecido passa por um processo de transformação com as enzimas das abelhas. E como temos poucas abelhas ele certamente fermentaria, se tornando assim impróprio para o consumo das abelhas.


O mais adequado aqui é procurarmos um caixa de abelhas que possa fornecer não só potes de mel, mas também novas abelhas. O que eu faço é simplesmente procurar uma colônia que tenha um sobre ninho com potes e boa quantidade de abelhas.


 (Enxame já formado, estabilizado e com muitos potes)

Em seguida, troco os módulos de lugar. Ao fazermos isso boa parte das abelhas da caixa que doou o módulo cheio de potes vão juntas. Mas alguém pode perguntar: mas não haverão brigas? As abelhas não vão estranhar uma caixa com outras abelhas?


Bem, antes de responder essa pergunta é preciso esclarecer uma questão. O manejo das abelhas sem ferrão, notadamente as meliponas, não obedece as mesmas regras de manejo das abelhas de ferrão. Várias pesquisas científicas, especialmente as produzidas pelo Prof. Dr. Kerr, já nos provaram que existe uma grande flexibilidade e aceitação nas abelhas sem ferrão de novos feromônios diferentes da rainha.


Assim sendo, respondemos a pergunta com um simples não. Muito embora as abelhas possam estranhar ausência do cheiro da rainha da colônia que doou o sobre ninho, não brigarão com as outras abelhas já existentes na caixa fraca.


Além disso as abelhas da caixa fraca são, na sua grande maioria, abelhas novas e que ainda não “aderiram” (devido à ausência de rainha) a nenhum feromônio real, afinal de contas, não temos nenhuma rainha na caixa ainda.


Outro ponto positivo é que mesmo que algumas abelhas voltem para colônia antiga, boa parte das abelhas que foram juntas com o módulo permanecerão normalmente na caixa que recebeu os potes por serem abelhas novas e não estarem na fase de coleta externa (fase final de vida das abelhas e onde elas apreendem a voar).


(caixa fraca após a introdução de novo módulo e com mais abelhas)

Após realizar o processo de transferência já podemos observar que a quantidade de abelhas na caixa aumentou e os potes doados ajudarão a acelerar o desenvolvimento da colônia até a formação da rainha. No resto é só acompanhar e esperar que elas possam agora sozinhas (ou mesmo com os nossos empurrões) se desenvolverem e gerarem mais uma nova rainha, até chegarem ao padrão abaixo.

 (caixa matriz com ótima postura)


Natal/RN, dia 31 de Março de 2015

Kalhil Pereira França Thurner
Meliponário do Sertão

sexta-feira, 6 de março de 2015

O sucesso das Uruçus Verdadeiras em Natal/RN

Depois de muito tempo longe deste espaço, volto para relatar um pouco das minhas “aventuras” nos últimos dias no mundo das amáveis abelhas sem ferrão. Devido a minha mudança de Mossoró para Natal, estive durante muito tempo sem a possibilidade de criar as abelhas de maneira apropriada.

Nesse período perdi alguns enxames e pouco dei assistências as abelhas. Entretanto, finalmente encontrei um local bastante apropriado à criação. Antes de mais nada é preciso registrar que mudei o foco de minha criação. 

(colônia matriz de Uruçu Verdadeira - melipona scutellaris)

Por aqui as abelhas Uruçus são bem mais adequadas a criação racional pela melhor adaptação ao clima quente e único da mata atlântica, muito embora mantenha ainda algumas colônias de Jandaíra aqui e no interior.

Estou focando com força na Uruçu Verdadeira que, na minha opinião, é uma abelha fantástica. Venho multiplicando-as com grande sucesso por aqui. Neste último mês de janeiro fiz 10 novas colônias e todas geraram rainhas em menos de 15 dias. 

(divisão - colônia nova com 40 dias de postura)

Estou bastante satisfeito com o desenvolvimento das minhas colônias, fato que atribui principalmente ao meu manejo adequado, uma alimentação de reforço sempre que necessário e a seleção das melhores colônias para divisão.

(colônia matriz de Uruçu Verdadeira - uma das melhores abelhas do Brasil)

Minhas colônias, mesmo após as divisões recentes, estão com nova postura batendo a tampa da caixa. Devidos as últimas fortes chuvas em Natal e região temos encontrado uma abundância de flores, o que proporciona as abelhas muito pólen. Fato este refletido numa postura em constante crescimento.

Registro ainda minha participação no último dia 22 de fevereiro na cidade de João Pessoa para participar de fundação da Associação de Meliponicultores do Estado da Paraíba, fato este bastante significativo para meliponicultura local.

(fundadores e eleitos para a primeira gestão da Associação de Meliponicultores da PB - AMEL)

Nesses tempos de seca no campo e falta de água nas grandes metrópoles, é mais que chegada a hora da atividade sair do anonimato para levantar a bandeira da preservação das abelhas nativas que por intermédio da polinização são os animais diretamente responsáveis pela preservação das nossas florestas, nossa maior fonte de água.

Natal/RN, em 06 de março de 2015.

Kalhil Pereira França Thurner

Meliponário do Sertão

domingo, 19 de outubro de 2014

Dia com amigos da AME-Rio (Parque Natural Municipal da Catacumba)

De lua de mel pela cidade maravilhosa, tive a grata satisfação de ter sido convidado pelos amigos meliponicultores Wincler e Sérgio, sócios da Associação de Meliponicultores do Estado do Rio de Janeiro (AME-Rio), para uma tarde bastante agradável com as abelhas no Parque Natural da Catacumba, situado as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Assim que chegamos ao local fomos recebidos oficialmente pelo gerente do parque que nos contou a história de sua criação. O local, atualmente em processo de recuperação avançado de flora e fauna, foi da década de 70 uma favela. A gestão municipal à época retirou a população do local, tratou, recuperou e deu início a criação oficial do parque de preservação ambiental da catacumba. 




No local há um pequeno meliponário modelo que serve de instrumento de capacitação e educação ambiental. Esse trabalho da AME-Rio junto aos parques no Rio de Janeiro tem sido muito importante para o crescimento e expansão da meliponicultura. Há uma atividade semelhante realizada na Floresta da Tijuca.


No local temos algumas caixas de Mandaçaia, Iraí e Jataí. Todas muito bonitas e bastante populosas. As caixas usadas são as projetadas pelo meu querido amigo Pedro Paulo Peixoto que, muito embora respeite, não gosto pelo fato de dificultar, na minha humilde opinião, o manejo quando da presença de mel nas colônias.




















A convite do colega Wincler realizamos a multiplicação de um enxame de mandaçaia (m.q.q.), Para os que não conhecem a mandaçaia do sul (também conhecida com Mandaçaia quadri quadri), trata-se de uma melipona extremamente dócil e com mel de sabor bastante agradável. Sua principal característica é a grande presença de resina e barro dentro dos enxames.






No passado já tive por aqui, mesmo não sendo nativas de minha região, essas abelhas em meu meliponário. Todavia não tive muito sucesso pois o clima quente e seco do RN foi um complicador no manejo, tendo em vista que são nativas de regiões mais frias. Na verdade hoje sou adepto da seguinte tese: cada "abelha" no seu galho!!! Ou seja, cada meliponicultor deve manejar as abelhas de sua região. Isso evita muitos problemas, especialmente o enfraquecimento dos enxames a longo prazo pela limitação de enxames naturais.  



Enfim, foi uma tarde muito rápida, mas bastante agradável. Tivemos a oportunidade de trocar algumas experiências, fato este que fortalece muito o conhecimento entre amigos meliponicultores. Agradeço imensamente aos meliponicultores da AME-Rio pelo convite. Espero na próxima visita ao Rio de Janeiro ter mais tempo para participar oficialmente de alguma reunião desta Associação que tenho um grande carinho.


Natal, em 19 de novembro de 2014.

Att,


Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão

Obs: Agradecimento especial a minha amada esposa Marcelle Thurner que, muito embora não esteja nas fotos, estava em todos os momentos ao meu lado, exceto na hora da abertura das caixas por que até hoje, mesmo eu mostrando que as abelhas são completamente inofensivas, ainda morre de medo das minhas meninas abelhas sem ferrão, rsssssssssss.... 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Os Bombons protéicos do Cappas...

Nesse período de abundância de alimento no campo, pouco nos preocupamos com a alimentação das abelhas. Na verdade, há um maior atrativo pelo néctar e pólen das plantas em vez da alimentação artificial, tendo em vista se tratar do alimento natural das abelhas. 

Mesmo assim, nos enxames mais novos torna-se importante fornecer alimento artificial para facilitar o crescimento dos enxames ou mesmo ajudar a estimular a postura das rainhas.

Assim sendo, vou, mais uma vez, ensinar uma receita já conhecida dos amigos meliponicultores, pórem fornecida de maneira bem interessante.

Trata-se dos famosos bombons do Prof. João Pedro Cappas, famoso pesquisador português de insetos sociais. O Cappas, como é mais conhecido, desenvolveu um método para fornecer a ração proteica, uma espécie de bombom de pólen artificial à base de extrato de soja ou levedo de cerveja que substitui o pólen natural.


A receita é simples e consiste basicamente em misturar: extrato de soja (cerca de 500g); mel puro de apis (100ml) e um pouquinho de pólen colhido da caixa das abelhas. Recomendo sempre usar mel puro, nunca xarope, pois este último facilita a proliferação de bolor.


É importante colher o pólen de algum pote das colônias pois esse alimento possui microrganismos que irão fermentar o alimento artificial. Sem ele há receita não dá certo por que as abelhas não aceitam o alimento sem está levemente fermentando. Além disso, a ração fica com o mesmo gosto do pólen das abelhas, sendo assim mais palatável.


Misturamos inicialmente tudo com uma colher e na medida que massa for tomando forma vamos usando a mão mesmo. Pra saber o ponto ideal basta verificar se a massa está grudando nas mãos, caso positivo acrescente mais extrato de soja até a massa ganhar liga e torna-se homogênea.

Feito isso colocamos a massa num recipiente com tampa e deixamos a ração fermentar por aproximadamente 15 (quinze) dias. Esse é o tempo necessário para a massa ganhar as mesmas qualidades do pólen natural que foi misturado no preparo da ração. Após esse tempo ela apresentará uma coloração marrom. Ficará com o cheiro e gosto muito similar ao alimento natural das abelhas.


Agora é que vem o truque do bombom para facilitar a aceitação da ração artificial nas abelhas. Para fazer os bombons vamos precisar de cera bruta de apis, um palito para churrasco e a ração pronta.


O primeiro passo é fazer bolinhas do tamanho natural do pote de pólen das abelhas que vamos fornecer. Em seguida basta a gente derreter um pouco de cera natural das abelhas europeias em algum recipiente. Eu costumo fazer isso no próprio microondas, pois é bem mais rápido que o processo em banho-maria.


Depois furamos com o palito de churrasco as bolinhas da ração e mergulhamos de duas a três vezes dentro da cera derretida. Esperamos esfriar e retiramos os bombons de pólen cobertos pela camada de cera prontos para serem servidos as colônias.

Depois de pronto basta colocar no cantinho da caixa para que sejam fixados pelas abelhas. Não demora muito e todo alimento passa a ser consumido pelas abelhas sem nenhum tipo de rejeição. 



Devemos lembrar que o pólen é o principal responsável pela qualidade da postura de nossas colônias, a presença desse alimento é extremamente importante para um rápido crescimento na ovoposição realizada pela rainha.

Assim fica a dica, estando a colônia sem pólen natural devemos fornecer a ração proteica para manter o ritmo de crescimento saudável de nossas abelhas.

att,

Mossoró, em 14 de abril de 2014.



Kalhil Pereira França
Meliponário do Sertão